Futuros-pretéritos amantes

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Eu me sinto tão confortável ao seu lado, que, quando você me abraça, é como se me recostasse sobre a nuvem mais macia desse céu mais que azul a pairar sobre nós dois – esse mesmo que surge sempre refletido nesses teus olhos engolidores de céu.
É engraçado, não acha? Como tudo parece ensaiado. Sempre rimado. Numa sintonia que é como se fosse adestrada. Me surpreendo sempre com a grandeza do que temos; não é algo com o qual me acostumo por um segundo sequer desde que aqui te reencontrei, depois de enfrentarmos com tanta dificuldade uma distância que já ultrapassava a catraca dos milênios. Hoje vejo a necessidade de toda aquela tempestade que mais parecia ter durado três mil anos: nunca antes o céu, esse mesmo refletido dia após dia em seu olhar, me pareceu tão maravilhosamente reluzente.
Vejo em mim uma capacidade a cada manhã maior de te admirar por absolutamente tudo o que você é, tudo o que você faz, quer, pensa e verbeia. Eu te amo por todas as suas ações e até mesmo pelas suas não-ações, também. Porque eu te amo completo – e que grande eufemismo é esse, que me norteia do momento em que eu acordo, até o instante em que me deito para dormir.
...
Você me pergunta sobre a razão de te amar tanto assim, e toda a voz que de minha garganta pode ser emanada surge da porção mais infinita do meu peito: de boca fechada, armazeno letra por letra, sílaba por sílaba, e deposito-as inteiras num único gesto. Smack!